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Um Panorama da História das Artes Plásticas em Mato Grosso do Sul Através do Acervo do MARCO

O objetivo desta exposição é fornecer ao visitante um panorama da arte sul-mato-grossense através de sua história. Embora mais de uma centena de nomes importantes tenham traçado essa trajetória, o espaço desta sala permite mostrar, em pouco mais de cinqüenta obras, momentos significativos de nossa construção iconográfica.
A mostra, acompanhada de catálogo, procura dar uma noção sobre o último século na arte sul-mato-grossense. O MARCO participa da formação cultural de Mato Grosso do Sul proporcionando ao público em geral acesso às obras dos artistas plásticos mais significativos.
Espera-se desta forma sensibilizar o olhar da sociedade para a importância de se reunir um acervo ao alcance de todos. Estimular doações de valor histórico, produção de textos críticos e popularização de nossos ícones são essenciais para a consolidação da identidade e formação da tradição cultural. A instalação desta Sala de Exposição Permanente do Acervo do MARCO, com o apoio da Brasil Telecom, é um passo importante nessa direção.

O próprio episódio que levou à divisão do velho Mato Grosso e a criação do Estado de Mato Grosso do Sul há pouco mais de um quarto de século, nos leva analisar o movimento de artes plásticas nessa parte do Centro-Oeste brasileiro segundo dois momentos distintos: antes e depois de 1977.

Antes da década de 1960 havia pouca movimentação nas artes plásticas do estado, principalmente sob o enfoque de movimento cultural. Esse estado de coisas passou a mudar com a Primeira Exposição dos Pintores Mato-grossenses em 1966, quando aportou nesta terra o conceito de arte moderna para o conhecimento do grande público. Atrevo-me até a dizer que essa mostra foi nosso equivalente à “Semana de Arte Moderna”, ainda que com 44 anos de atraso. Até então, registra-se o talento de alguns artistas isolados em seu tempo, alguns professores de pintura e exposições de alunos.

É esse o caso do fotógrafo espanhol Miguel Perez (1881-1976), cujo trabalho está registrado no Álbum Graphico do Estado de Matto Grosso de 1914, época em que os fotógrafos também eram pintores por necessidade profissional.

Depois de fotografar diversas cidades do estado para o referido álbum, Perez aceitou o convite dos irmãos Cavassa em 1918 para radicar-se em Corumbá, com a função de pintar interiores. A partir dos anos 30, dedica-se também à pintura de telas tendo participado da Primeira Exposição de Pinturas de Cuiabá, realizada na Academia Mato-Grossense de Letras em 1935. Em 1954 transferiu-se para Campo Grande onde instalou sua “Fábrica de Quadros”, comércio de molduras, material de pintura e ateliê e lecionou pintura até o fim de seus dias. Autodidata, em sua obra predominam paisagens de cunho ingênuo, geralmente européias, inspiradas em postais e folhinhas de época.

Também foi em Corumbá que se projetou o professor Antonio Burgos Villa (1900-1983). Espanhol com formação artística acadêmica constituída entre Barcelona e Paris, chegou ao Brasil em 1951 para trabalhar na construtora Faldo Anca, sendo então enviado a Corumbá para realizar a decoração da Matriz da Candelária e do Colégio Imaculada Conceição. Decorou o histórico Cine Tupi daquela cidade (talvez o primeiro registro iconográfico da flora e fauna pantaneiras na arquitetura) e fundou, junto com sua filha Núria Burgos (1927-2003), também formada em belas artes em Barcelona, a primeira escola de pintura com fundamentos acadêmicos, a qual foi responsável pela formação de diversos talentos corumbaenses. Entre seus alunos encontrava-se a escultora e pintora Marina Gattass (1929-1984) que, em 1957, realizou sua primeira individual no Corumbaense Futebol Clube.

Na seqüência do movimento corumbaense, no início dos anos 60, surgiu Jorapimo. Autodidata, passou a ser a maior figura da pintura corumbaense, o primeiro artista a dedicar sua vida à revelação da flora e fauna pantaneiras, das cenas da vida ribeirinha e do casario do porto de Corumbá, seguido pelo boliviano Rubén Dario Román que também desenhou sua carreira a partir de Corumbá. Vale aqui ressaltar um ícone da pintura brasileira, Wega Neri, corumbaense que desde a infância, início dos anos 20, radicou-se em São Paulo.

No entanto, sob o ponto de vista histórico que antecedeu o movimento dos anos 60, é em Campo Grande que se registra a mais interessante figura feminina nas artes plásticas sul-mato-grossense: Lídia Baís (1901-1985) cuja vida singular vem despertando interesse para teses académicas de nossos estudiosos. De família tradicional, foi aluna de Henrique Bernardelli no final dos anos 20 e também aluna de Oswaldo Teixeira durante estágio na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Dois fatores a expuseram fortemente ao surrealismo vigente na época: sua temporada de quase um ano, entre 1927 e 1928, entre Berlim e Paris, e a estreita convivência com o grande pintor Ismael Nery. Manteve ainda correspondência com o poeta Murilo Mendes. Ao regressar a Campo Grande em 1930, dividiu-se entre a pintura e estudos esotéricos e musicais. Consta que, quando entrava em transe, ouvia música de outras esferas por dias seguidos. Muito religiosa desde criança, acabou entrando para a Ordem Terceira das Irmãs de São Francisco de Assis, onde recebeu o nome de Irmã Trindade e paulatinamente foi deixando de pintar. Nos anos 40 fundou seu próprio museu, o qual mal chegou a ser aberto ao público. Provavelmente desiludida com as duras condições culturais da cidade na sua luta por uma trajetória artística, acabou mandando encaixotar as obras de seu museu. Graças à doação da família da artista, grande parte desse acervo pertence hoje ao MARCO. São cerca de 110 trabalhos entre pinturas, desenhos e fotografias, atualmente em fase de restauração, que propiciarão ao espectador um panorama de sua produção cujo caráter simbolista se faz presente em suas melhores alegorias.

Ainda sob o enfoque cronológico, vale registrar a atuação de Inah Machado Metello (1910-1977), também aluna de Oswaldo Teixeira na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro nos anos 30, não obstante sua pequena produção ter ficado mais restrita ao âmbito familiar. O mesmo vale para a passagem da artista plástica paulistana Ernestina Karman (1915-2004), que residiu em Campo Grande entre 1946 e 1954, onde lecionou pintura por alguns anos e fundou o Grémio de Amadores de Pintura em 1950. Nos anos subsequentes realizou exposições de alunos, registrando em 1951 a presença de Sila Passarelli, pintora ainda atuante.

Finalmente, nos anos 60, começaram a surgir artistas em vários pontos do estado criando um ambiente propício para a realização, em 1966, da / Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-Grossenses, organizada por Aline Figueiredo com a colaboração de Adelaide Vieira e a minha, e júri composto por Pietro Maria Bardi, Aldemir Martins e João Parisi Filho. Entre os 17 participantes destaca-se outra presença histórica em nossas artes plásticas, certamente indispensável para completar a fase dos antecedentes. Trata-se de Ignez Corrêa da Costa (1907-1986), cuiabana em trânsito constante por Campo Grande onde residia seu irmão, o ex-governador de Mato Grosso Fernando Corrêa da Costa, que lhe proporcionou bolsa de estudos para estudar arte no Rio de Janeiro. Aluna de Portinari na Universidade do Brasil, entre suas principais participações consta o importante Salão Nacional de Belas Artes de 1931. Possuidora de excelente técnica, retratou a paisagem cuiabana e tipos regionais. Passou as últimas duas décadas de sua vida em Campo Grande, lecionando pintura e cerâmica, onde veio falecer. Esse novo evento revela também Dalva Maria de Barros, também de Cuiabá, que viria tornar-se a principal pintora da iconografia cuiabana, hoje reconhecida como grande pintora brasileira. De nossa cidade a grande revelação foi Reginaldo Nascimento Araújo (1940-1980), pintor e minucioso desenhista em bico-de-pena que obteve o 1o prémio da referida mostra. Seu falecimento prematuro privou-nos, sem dúvida, de um trabalho original na arte sul-mato-grossense. Não participa dessa coletiva Fausto Furlan, de origem italiana, atuante como professor de pintura e retratista, aliás, o preferido dos gabinetes políticos. Recompõe em suas telas figuras e sítios históricos da cidade, além de personalidades contemporâneas. Colabora, assim, para a construção de uma "memória", ansiedade compreensível em uma jovem cidade que busca afirmação.

Em 1967, um grupo de artistas entusiasmados com o resultado da primeira exposição fundou a Associação Mato-Grossense de Artes-AMA, dirigida por Aline Figueiredo. Ali se estruturou a primeira geração de artistas atuantes em Campo Grande, a qual se projetaria no cenário nacional na virada da década de 60 para a de 70. Essa leva pré-divisão do estado foi responsável por uma verdadeira revolução nas artes plásticas. Além dos já citados, vieram reforçar o grupo llton Silva, Maria Augusta Cambará e o cuiabano João Sebastião Costa, que veio para Campo Grande por conta dos ecos da primeira exposição, aqui permanecendo até 1974. Outro nome de peso foi o alto-araguaiense Clovis Irigaray, exímio desenhista que, como João Sebastião e eu, teve participações importantes em salões nacionais. Nesse período vai aparecer Conceição Freitas da Silva, mais tarde dita Conceição dos Bugres (1914-1984), mãe do pintor llton Silva, que se tornaria a primeira escultora, do então Mato Grosso, a ser reconhecida nacionalmente. Seus "bugrinhos", hoje, figuram entre os mais fortes símbolos da iconografia popular identitária de Mato Grosso do Sul.

Ainda nessa época, das oficinas desenvolvidas em meu ateliê sairiam Nelly Martins (1923-2003), iniciada em pintura por Osvaldo Brandão durante o mandato de deputado federal de seu marido Wilson Barbosa Martins em Brasília, e Therezinha Neder, com antecedentes de estudos realizados em sua juventude no Rio de Janeiro. Nos anos 90, a artista se revelaria animadora cultural. Outro nome surgido na época foi Thetis Selingardi, que se tornou uma das principais pintoras da tendência abstracionista, característica crescente da arte sul-mato-grossense após a criação de Mato Grosso do Sul.

Ainda provenientes dos anos 70, mas com forte atuação no movimento pós-divisão que buscou uma identidade para o novo estado, os nomes que se projetaram foram os de Hebe Albanese, Mary Slessor, Índio (José Carlos da Silva, 1948-1991) e Henrique Spengler (1958-2003) que, junto com Jonir Figueiredo e Adilson Schieffer, fundam a Unidade Guaicuru. Esse grupo trabalhava uma iconografia com clara preocupação relativa à cultura indígena, fazendo uma releitura cromática dos signos kadiwéu, terena e guarani, consolidando a parcela geométrica de nossa tendência abstracionista, ao lado de Áurea Katsuren e do douradense Paulo Rigotti. Este último viria a realizar quadros-objeto com reaproveitamento de sucatas metálicas.

Na esteira do funcionamento da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT em 1971 em Cuiabá, Aline Figueiredo, Terezinha Arruda, João Sebastião, Clóvis Irigaray, Dalva Maria de Barros e eu demos início em 1973 ao movimento que criaria em 1974 o Museu de Arte e de Cultura Popular - MACP da UFMT e a Fundação de Cultura de Mato Grosso em 1975. A implantação de um sistema de ateliês livres e de um amplo programa de atualização plástica por artistas nacionais, levantamento e pesquisa da arte no Centro-Oeste culminaria, no final da década, com o aparecimento de um núcleo de pintores que se projetaram nacionalmente e do livro referencial de Aline Figueiredo, Artes Plásticas no Centro-Oeste (edições UFMT, 1979), fonte-base de nossa pesquisa histórica.

Após a implantação do estado de Mato Grosso do Sul em 1977/78, o movimento sulista foi em busca de uma identidade própria lutando principalmente por espaços institucionais e teóricos para alavancar a arte sul-mato-grossense. Nesse momento foi implantado o Departamento de Cultura, núcleo básico para a criação da Fundação de Cultura, em 1984. Destaca-se nessa época a atuação de Maria da Gloria Sá Rosa, Idara Duncan, Iara Penteado, Lélia Rita de Figueiredo e Sara Figueiró, entre outros.

Em 1981 foi introduzido na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS o curso de Educação Artística, que passou a se chamar Artes Visuais em 1999, obtendo maior abrangência propondo-se, também, a formar artistas. Cria-se em 1982 o Salão de Artes Plásticas de Mato Grosso do Sul e, em 1991, foi fundado o MARCO - Museu de Arte Contemporânea. Esses fatores foram fundamentais para que a arte sul-mato-grossense ganhasse identidade própria e originasse grupos de artistas envolvidos em linhas de crescimento diversificadas, mas que formataram uma trajetória que hoje podemos ler no acervo do museu.

Nos anos 1980 e 90 apareceram os artistas que consolidariam, em caráter permanente, o movimento moderno e pós-moderno em Mato Grosso do Sul. Suas atuações vão garantir uma análise de que esse movimento aparece para permanecer.

Da UFMS destacamos Richard Perassi, Carla de Cápua, Lúcia Monte Serrat e Darwin Longo, artistas-professores do curso de Artes Visuais, e Genésio Fernandes, professor de literatura que desenvolveu uma importante produção pictórica de força expressionista e sabor erótico. Na área teórica, sobressai o trabalho da crítica de arte Maria Adélia Menegazzo.

Via Fundação de Cultura e salões projetaram-se Sandra Vissotto, Bill Soares, Paulo Flores, Roberto Marson, o paraguaio Júlio César Alvarez, que mostra em sua obra forte identidade da arte guarani contemporânea, e Heron Zanatta, cuja pesquisa avançada de computação gráfica se traduz em suportes tanto em papel quanto em tela. Na busca identitária, citamos os trabalhos de Miska (Emilcy Thomé Gomes), Lelo (Élios Longo), Carlos Nunes, Ilda Rocha, Zé Abrão (José Abrão Neto, 1956-1997), Monique Merlone, Victória Braun, Patt Helney, Teka Rosa, Abílio Escalante, Dagô (Dagoberto Pedroso) e Cleir Ávila Jr., este realizando grandes murais e esculturas públicas de tendência nativista. Reforçam esse grupo Abias Batista Filho (1962-1991), Ovini Rosmarinus (1968-2004) e Beto Lima (1963-2002), este último, com intensa produção, apesar do falecimento precoce, deve ser considerado como um dos mais profícuos pintores sul-mato-grossenses.

Provenientes da área publicitária, três pintores conseguiram se impor com obras de características bastante individuais: Fernando Marson, Isaac de Oliveira e Júlio Cabral. De tendência surrealista, Luxavli (Luiz Xavier Lima) e Silvio Rocha. No indigenismo, Lúcia Barbosa. Na tendência construtiva, Ana Karla Zahran, Renato Arakaki e Ana Ruas, que vem levando seus trabalhos a viadutos e ruas da cidade. Merece também citação o trabalho de Claudia Villela, Luis Pedro Scalise, Lázara Lessonier, Joacilei Cardoso, Blanche Torres, Pedro Guilherme e, representando a arte performática, Renato Ribas.

Surgem ateliês particulares de pintura orientados por Rosana Bonamigo, Leonor Lage e o artista japonês Masahiko Fujita, que desenvolve seu trabalho em pintura retratando paisagens urbanas. Citamos também O Grupo, inicialmente orientado por José Manoel de Souza Neto e atualmente desenvolvendo estudos com o paulista Paulo Pasta, no qual assinalamos os trabalhos de Jussara Stein, Paula Nocera e Denise Vascco.

Nas gerações recentes os trabalhos multiplicam-se nas mais diversas tendências contemporâneas. Confirma-se a vocação pelo abstracionismo com Martha de Barros, Laís Dória, José Amin e Ary Corrêa Jr., assim como o corumbaense Edson Castro com sua constante pesquisa de fatura. Com uma linguagem mais conceituai, o campo-grandense Rafael Maldonado, formado na Escola de Belas Artes do Paraná, vem realizando um trabalho com muito conhecimento técnico e embasamento teórico de contemporaneidade, que certamente o coloca como o mais representativo de nossa nova geração.

A artista Neide Ono tem atuação de ponta como ceramista e designer, realizando um expressivo trabalho de formas abstratas e movimentando seu ateliê como escola, de onde saíram Maria Helena Belalian, Clara Rahe e Mauro Yanase, além de Irani Bucker, cujas recentes beatas enriqueceram a iconografia sul-mato-grossense.

Por sua vez, Isaac Saraiva, Nofal, Tita, Iracy Fernandes, Cecílio Vera e Juracy Mello estão entre os naïves mais atuantes.

Na fotografia artística, projeta-se o trabalho de Marcelo Buainain, a pertinência de Roberto Higa e Rachid Waqued e a renovação de propostas de Elis Regina Nogueira e Vânia Jucá.

Arte pouco divulgada em Mato Grosso do Sul, a gravura teve sua maior expoente em Vania Pereira (1940-2002). Formada na Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP (São Paulo), com seu ateliê campo-grandense movimentou a categoria e realizou uma obra considerável, grande parte dela doada pela família para o acervo do MARCO. Lu San’Anna, que foi aluna de Vania, hoje também é professora. Em termos da carga expressionista da gravura em metal, a artista mais interessante e significativa é Laila Zahran. Vale mencionar ainda a produção e o trabalho de Júlio Feliz, llka Galvão, Ricardo Aragão e América Cardinal. Há que se registrar que um dos maiores gravadores brasileiros de reconhecimento internacional, Roberto De Lamônica (1933-1995), natural de Ponta Porã/MS, partiu adolescente para o Rio de Janeiro e construiu sua carreira no mundo, consagrando-se em Nova Iorque.

A escultura só mais recentemente começa a conquistar adeptos e público. O arenito de Aquidauana e o mármore de Bonito entraram como matérias-primas essenciais à formação desse movimento. Seu grande mentor foi o já citado índio, ainda nos anos 70, esculpindo pedras inicialmente no próprio leito do rio, em Aquidauana. Reconhecido por seus colegas como maior talento da pedra, foi mestre de seu filho Sandro Silva e grande incentivador de seus seguidores José Nantes, Anor Mendes, Marcos Mourão e Anelise Godoy, que veio a liderar um novo e expressivo grupo de escultores em Aquidauana. Complementando essa área, registram-se em Corumbá as interessantes composições escultóricas de Wilson Cavalcanti e a expressiva produção de Izulina Xavier, autodidata, a princípio com santos em madeira e a partir dos anos 90 com esculturas e baixos-relevos de grande porte em cimento.

O momento mais recente da produção artística local conta com a presença de um movimento jovem promissor. Na pintura Patrícia Rodrigues, Evandro Prado, Priscilla Paula e Marta Nogueira. Desenvolvendo investigação com mídias contemporâneas temos Nelson Vaz e, com instalações, o grupo Comtempo.

O fato é que, graças às novas gerações, à afirmação do Museu de Arte Contemporânea-MARCO, com sua nova e monumental sede no Parque das Nações Indígenas, e às leis de incentivo à cultura e à consciência política de que é mister haver uma pasta estadual e municipal para a cultura, jamais regressaremos ao estágio de isolamento e insignificância que a cena pioneira teve que romper até chegarmos a este momento de consolidação.

Hoje os trabalhos se expandem em um grande leque de influências e colaborações distintas em favor do movimento. A arte sul-mato-grossense segue construindo sua história.


Humberto Espíndola - Novembro de 2004